domingo, 30 de junho de 2013

Casa das Rosas - espaço poético.

O Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, mais conhecido como a Casa das Rosas. Localizado na avenida Paulista tem a missão de democratizar a poesia, pretendendo desfazer preconceitos e qualquer paradigma negativo sobre a arte poética.
A casa, com uma beleza arquitetônica histórica, tem um jardim ao lado compondo com belo esse espaço. No térreo tem uma exposição permanente com obras da poesia concreta que podem ser vistas e ouvidas. Próximo à algumas obras se encontram fones de ouvido em que os visitantes podem ouvi-las. Infelizmente não existe marcação no chão com piso podotátil para que o cego chegue com autonomia até as obras. Também algumas televisões com um resumo das apresentações das obras, mas sem nenhuma possibilidade de interpretação de LIBRAS. 
Infelizmente os visitantes cadeirantes também terão algumas dificuldades. Na
entrada principal existe uma escadaria em que impedem que cadeirantes, mães com 
carrinhos de bebê ( oque foi meu caso), e pessoas com dificuldade de locomoção 
 de entrar e necessitarão ou ser carregados, ou utilizar duas canaletas, segundo a funcionária, para que o cadeirante possa apoiar as rodas da cadeira para subir. Segundo os funcionários, isso é devido a conseguirem a autorização para adequação do espaço se tornar mais acessível decorre por ser um prédio histórico. 
Dentro existe um elevador, mas estava com as luzes desligadas, segundo funcionário, 
por que pessoas que não necessitavam estavam usando. Um espaço que pretende democratizar a poesia, deve levar em consideração a acessibilidade para que todos possam desfrutar de um belo espaço gratuito, aberto ao público em geral.





















Todas as fotos foram tiradas sem flash, com autorização do local, com a finalidade de ilustrar o espaço aos visitantes. Nas fotos contem espaços internos com as obras impressas de poesia concreta, a arquitetura interna e externa, os jardins e alamedas.
Vale a pena conferir as exposições e intervenções de performance na casa, além de sua história, carrega a poesia em sua essência.

Local: Avenida Paulista, 37, São Paulo
Para receber informação: programacao.cr@poiesis.org.br

  

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Dia 27 de junho - surdocegueira em evidência.


No vídeo Helen Keller toca no rosto de sua professora Anne Sullivan na posição conhecida como Tadoma.


Dia 27 de junho comemoramos o nascimento da surdacega mais conhecida pelo mundo. Como forma de celebrar esse momento estou compartilhando uma parte de minha dissertação de mestrado pela Programa de Distúrbios da Comunicação pela PUC-SP. 


Resumo


Dupla deficiência sensorial, múltipla privação sensorial, deficiência audio-visual, surdez-cegueira foram os vários nomes dados a atual nomenclatura “surdocegueira”. Surdocegos são aqueles que possuem uma deficiência única causada pela combinação da deficiência auditiva e visual, por isso escrita dessa forma. Os múltiplos deficientes sensoriais são aqueles que possuem surdez ou cegueira associados a outras deficiências, como paralisia cerebral, deficiência mental, deficiência física ou distúrbios globais de desenvolvimento.
A história da implantação do trabalho com surdocegos no Brasil começou em 1953 com a visita de Hellen Keller (surdacega americana) à professora de cegos Sra. Nice Tonhozi Saraiva, que recebeu uma bolsa para se especializar na Perkins School Watertown Massachussets/EUA. Em 1962, a professora Nice montou o Serviço de Atendimento ao Deficiente Audio-Visual na Fundação Padre Chico/SP. Em 1963 esse programa foi assumido pelo Estado e transferido para o município de São Caetano do Sul/SP. Surge em 1968 a primeira escola para surdocegos na América Latina – Escola Residencial para Deficientes Audio-Visual,embora nunca tenha funcionado como residência. Essa instituição é conhecida hoje como Escola de Educação Especial Anne Sullivan. Em 1983, na Associação para Deficientes da Áudio-Visão/SP - ADEFAV, iniciou-se o atendimento a surdos que também eram portadores de outras deficiências. No ano de 1986, a escola Hellen Keller/SP começou a atender crianças portadoras de múltipla deficiência sensorial. Em 1991, profissionais que trabalhavam na Escola de Educação Especial Anne Sullivan deixam essa instituição para fundar a AHIMSA. A partir da experiência dessas instituições começaram a surgir outros locais de atendimento, tanto em São Paulo, como em outros estados. Os profissionais dessas instituições tiveram a oportunidade de contar com o apoio da Professora Doutora Maria Bove, que desenvolveu um curso de Capacitação sobre Comunicação pelo Instituto Hilton Perkins.
Foi observado que no início do desenvolvimento do surdocego, o tato se encontra desorganizado sendo a principal via de informação a olfativa. Segundo Bove (1996), o olfato do bebê surdocego poderá reconhecer as pessoas através de perfumes e cheiros diferentes. Dessa forma, devemos privilegiar a via olfativa, como também a gustativa, para facilitar o processo inicial de diferenciação com relação às pessoas, objetos e atividades. 
Cabe ao fonoaudiólogo, profissional prático no diálogo, estabelecer o processo de intermediação entre esse sujeito e o mundo. A confiança é a fonte primordial para o estabelecimento do vínculo entre o profissional e o paciente. Em muitas instituições esse papel é assumido pelo professor especialista ou da sala de recurso. 
Winnicott (1996) nos fala sobre as comunicações silenciosas iniciais. A respiração, o cheiro, o hálito e o batimento cardíaco da mãe são considerados únicos e marcam uma forma de comunicação física com o bebê. O movimento de embalar o filho é parte da função materna do holding (apoio), função que, quando suficientemente boa, protegerá o bebê “contra a despersonalização, ou o rompimento da combinação psicossomática”. O holding é o introdutor da sensação de continência.
A mãe de um bebê surdocego acaba, em alguns casos, apresentando dificuldades em acolher, no primeiro momento seu bebê, dispensando a ele somente os cuidados físicos, não estando apta, naquele instante, para criar um vínculo com seu filho.
Van Djck “mostra que, com freqüência, as crianças portadoras de múltiplas deficiências têm problemas para distinguir a si mesmas das pessoas em sua volta. Em certas ocasiões, vêem as coisas como prolongamentos de seu próprio corpo... Para que haja distinção entre o eu e as coisas exige que a criança se mova, tanto fazendo coisas, como junto com ela em diversas situações.” (apud Writer, 1993)
O bebê só cria algo que já existe, ou seja “a coisa que o bebê cria é parte da mãe que foi encontrada” (Winnicott, 1996). Isso só pode ocorrer se a mãe se encontrar nesse estado especial de adaptação às necessidades do bebê. Caso a mãe desse portador de deficiência esteja vivendo um momento de frustração, por seu filho não corresponder à imagem idealizada, ela poderá deixar de cumprir suas funções básicas (holding, manuseio e apresentação de objetos) que são vitais para a organização emocional de seu bebê e, consequentemente, poderá dificultar as condições para o desenvolvimento de linguagem de seu filho.
No espaço potencial ou o espaço comum entre a mãe e seu bebê é que surge a brincadeira como forma mediadora da comunicação. A partir dela podem ser vivenciadas experiências prazerosas e de afeição mútuas. Em muitos casos, acontece da mãe do bebê surdocego não brincar com seu filho. É como se ela não acreditasse na capacidade dele responder a seus estímulos. Nesse momento é que o papel do fonoaudiólogo é fundamental para contribuir com o desenvolvimento do potencial comunicativo de seu paciente. Para isso, é importante saber qual é o foco do trabalho, o veículo (corpo) ou o condutor (eu/potencial). Muitas vezes traçamos como prioridades as necessidades orgânicas básicas, e nos esquecemos da importância do ser – como existir no mundo. Para inverter esta lógica, o fonoaudiólogo deve desempenhar seu papel como na arte de se tornar um equilibrista. É como andar em uma corda-bamba.
A criança surdacega, em sua maioria, acaba apresentando dificuldades em se expressar oralmente, privilegiando a percepção por seus outros órgãos do sentido que não foram afetados (olfato/ paladar/tato). Expressam-se principalmente através do choro (descontentamento) e do riso (contentamento), quando ainda não desenvolveram a capacidade de apontar, forma de comunicação mais comum utilizada por aqueles que não oralizam.
Devemos ficar atentos em como a criança surdocega experiencia as coisas, e o que essas significam para ela. No início, a experiência é motora, sentida através do tato e da propriocepção. É importante ressaltar que os movimentos devem ser feitos junto com a criança, auxiliando-a na busca dos objetos, só assim ela poderá mostrar o que é de seu maior interesse.
Geralmente é a mãe que faz o papel de nomear os objetos. As expressões podem iniciar como uma forma primitiva e concreta até se desenvolver em algo mais abstrato e complexo. A partir desse ponto ocorrerá a distinção entre o que sou eu/ o que é o outro. “Nessa fase a criança só se expressa quando os objetos necessários estão por perto. Quando não é possível alcançar os objetivos, a criança pode encontrar um meio para indicar suas necessidades sem esses objetos. Indicar coisas que estão ausentes significa nomeá-las” (Jungers, 1977). Desenvolvendo esses conceitos a criança pode expressar suas necessidades à distância.
Um bom sistema de comunicação alternativa deve possuir os seguintes requisitos:
permitir uma vasta gama de formas de comunicação; ser adaptável para as outras necessidades da pessoa; permitir um amplo uso social; poder ser utilizado em um grande número de ambientes; poder ser capaz de dar acesso a um léxico adequado e poder exprimir um número elevado de mensagens; possuir um bom padrão ergonômico: não gerar trabalho, poder expressar a dimensão emocional, ser rápido, etc; poder ser personalizado em grau máximo; possuir características que o faça acessível aos interlocutores; ser tecnicamente de confiança, poder ser mantido facilmente em funcionamento e, se possível, não ter um custo muito elevado (TUPY & PRAVETTONI, 1999).
O trabalho do fonoaudiólogo, como o desenvolvido pelo profissional que atua numa instituição especializada no atendimento ao surdocego, será o de “captar as intenções comunicativas do paciente; compartilhar o mesmo mundo de referências; dar novo significado a objetos e pessoas num mundo de ação; dar mais importância ao processo que ao produto final; respeitando o tempo da criança, não sendo invasivo” (BOVE, 1996)
A base do trabalho para que possa se estabelecer uma boa comunicação é criar um ambiente ordenado e estruturado, proporcionando atividades com as quais a criança sinta prazer. Além disso, auxiliar aos pais a compreender como seu filho se comunica e como poderá se comunicar. Uma das formas é trabalhar com a antecipação dos fatos, podendo ser utilizado um calendário, no sentido de colaborar com a organização da vida dele.
Segundo Bove (1996), é possível avaliar a construção do diálogo entre adulto/criança através das seguintes funções comunicativas: “atenção, informação, protesto, recusa, comentários, descrição, reforço, checagem, comentários sociais, solicitar objetos/atividades/pessoas, afirmar, instruir e animar/desanimar. Essas funções podem ser observadas no programa proposto por Van Djck, em que o enfoque é baseado numa seqüência aproximada de níveis de comunicação, ao longo do qual a criança portadora de múltipla deficiência e surdacega progride no desenvolvimento de sua consciência simbólica. Ela é dividida em: nutrição, ressonância, movimento coativo, referência não-representativa, imitação e gestos naturais. Esse processo se dá de forma dinâmica, servindo como parâmetro de antecipação do trabalho a ser desenvolvido focado no desenvolvimento da comunicação. É importante lembrar que cada caso é único. 
Não basta dizer que se trabalha com comunicação alternativa, quando esta se restringe à pessoa com deficiência, aos pais e profissionais que atuam com ele. Devemos optar por meios que abranjam um maior número de pessoas, para que os surdocegos se tornem o mais autônomos possível. 
Caberá ao fonoaudiólogo auxiliar essas pessoas nesse processo, instrumentalizando-as de forma que consigam suprir suas necessidades mais básicas. Mas buscamos sempre atingir os mesmos objetos de formas econômicas alternativas , não onerando a família de pacientes.


Esse texto faz parte de minha dissertação de Mestrado pela PUC-SP. O resumo pode ser lido neste blog: 
http://artedainclusao.blogspot.com.br/2010/05/resumo-da-dissertacao-de-mestrado-em.html

Título- Iago: o menino guerreiro no mundo da comunicação alternativa. PUC/SP - 2000.

Também é possível conhecer um pouco mais do meu trabalho de dança inclusiva através do vídeo-dança Evidência: poesia em movimento. Neste vídeo temos surdocegos, cegos, pessoas com baixa-visão e videntes num trabalho de composição coreográfica baseado na improvisação. 
http://artedainclusao.blogspot.com.br/2012/06/video-danca-evidencia-projeto-arteiros.html


domingo, 23 de junho de 2013

Fotos do I Simpósio Internacional de Estudos sobre a Deficiência.


“Conflitos, Direitos e Diversidade - I Simpósio Internacional de Estudos sobre a Deficiência”, realizado em São Paulo entre os dias 19 e 21 de junho de 2013.
O seminário foi estruturado em torno de quatro campos temáticos, de modo a permitir sua apropriação pelas mais variadas áreas do conhecimento e, ao mesmo tempo, delimitar o espectro conceitual das discussões mais recentes sobre o campo da deficiência. Os eixos temáticos foram organizados em quatro Mesas Redondas, bem como serviram para dar sequência aos trabalhos e discussões realizadas no evento. São eles: “Corpo, Gênero e Identidade”;“Movimentos Sociais”“Educação e Comunicação”“Cidade e Direitos”.



Dia 19 de junho, participei da Comunicação Coordenada "Corpo, Artes e Sensorialidade" na sala 3. A mesa foi coordenada pela professora Fátima Dalto (UFBA). Meu tema apresentado foi baseado em minha monografia realizada para obtenção do título de Especialista em Linguagens das Artes pela USP, Projeto Arteiros - uma proposta de dança inclusiva. A pesquisa procura criar um paralelo entre o trabalho desenvolvido por Laban, na Dança Educativa Moderna com as pesquisas de Jan van Dick dos níveis de comunicação. 





Gostaria de parabenizar os organizadores do evento, em especial Elza Ambrósio por toda sua dedicação e a professora Lívia Mota, que fez com sua equipe a audio-descrição do evento.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

I Simpósio Internacional de Estudos sobre a Deficiência.

"O Memorial da Inclusão: os Caminhos da Pessoa com Deficiência – órgão da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em parceria com o Diversitas, Núcleo de Estudo das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos – FFLCH/USP e oPrograma USP Legal, Comissão Permanente para Assuntos Relativos às Pessoas com Deficiência – USP convidam a comunidade acadêmica, bem como profissionais, ativistas e demais interessados e ligados ao universo da Deficiência, para oI Simpósio Internacional de Estudos sobre a Deficiência."
São quatro os temas principais: “Corpo, Gênero e Identidade”;“Movimentos Sociais”“Educação e Comunicação”“Cidade e Direitos”.
Local do Evento: Hotel Novotel Jaraguá Convention, São Paulo
Data: 19 a 21 de junho de 2013 
Haverão Comunicações Coordenadas,cujas áreas serão organizadas de acordo com os eixos temáticos. Estarei participando na sala 3 - CORPO, ARTES E SENSORIALIDADE - 19/06 - 16h45 às 18h45.
Resumo da Comunicação


Projeto Arteiros: uma proposta de dança inclusiva.
Essa monografia pretende discutir uma nova abordagem no ensino da Arte Educação em dança, especialmente visando a criação de espaços em que é possível a participação de todos. O trabalho de Dança Inclusiva foi desenvolvido baseado nas minhas experiências em Dança Educativa, Danceability, Danzaterapia, Danças Circulares, juntamente com o trabalho propostos por Van Djck, isso possibilitou uma integração entre as áreas da Arte/Saúde/Educação. Este trabalho foi denominado Projeto Arteiros. Ele já foi implementado em 11 instituições em São Paulo/ Brasil que desenvolvem atendimento às pessoas com deficiências múltiplas. 

Maiores informações:
http://diversitas.fflch.usp.br/sied

sábado, 8 de junho de 2013

Museu do Futebol.

Toda quinta-feira é gratuita a entrada no Museu do Futebol. Fui visita-lo com o grupo do PEPE da Pinacoteca do Estado. Fomos muito bem recebidos pela Ialê Cardoso, coordenadora do Núcleo Educativo do Museu do Futebol e sua equipe. Eles nos proporcionaram uma visita guiada nos mostrando todas as adaptações tanto arquitetônicas quanto do material dispostos no museu. O prédio dispõe de um elevador para pessoas com mobilidade reduzida, cadeirantes e mães com carrinhos de bebês. Todas as fotos tiradas foram feitas com autorização, no local não é possível fotografar em área interna. Para os visitantes cegos e com baixa visão podem contar com a possibilidade de tocar em peças raras como as bolas de futebol e contam com o recurso das maquetes e jogos educativos para explicar os brasões dos times e bonecos articulados que simulam o movimento do jogador de futebol. O braille também está presente nos painéis informativos. Os participantes com o número do seu ingresso poderão simular um chute à gol e descobrir a velocidade em uma das muitas atividades interativas propostas. Todo o percurso foi colocado piso tátil para que as pessoas cegas pudessem ser direcionadas em cada local e obra. Em uma das saídas é possível visualizar o campo de futebol do Estádio do Pacaembu.
O museu não se restringiu somente ao tema futebol, foi resgatado todo um histórico da época de cada copa, os costumes e as principais informações do momento. Também há vários vídeos de jogos e gravações preciosas de rádio com os principais narradores de cada época. Um passeio para ser desfrutado por toda a família, de todas as idades, não só para os "amantes do futebol"!






































Museu do Futebol 
Praça Charles Miller, S/N - Estádio do Pacaembu 
São Paulo - (55) 11 3664-3848
contato@museudofutebol.org.br